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Então, esse é um cantinho no qual gosto de expor textos, artigos, crônicas, vídeos ou matérias que gosto. Quando aparece alguma inspiração, também escrevo. É isso... Beeeijos! ;*

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Amar é…se escangalhar de tanto rir juntos.


A frequência ideal de sexo, por semana, é um dos debates mais inconclusivos que conheço sobre as fórmulas que levam à felicidade de um casal. Ora as pessoas se sentem desencaixadas quando sai uma pesquisa mostrando que o brasileiro faz 5x por semana, ora é um ranking internacional mostrando que os suecos transam mais (um chute, gente, é só pra ilustrar). Aí vem uma pesquisa definitiva provando que homens e mulheres estão insatisfeitos com o número de vezes que fazem amor com seus parceiros. Uns querem mais, outros menos.

Tudo isso é tão particular e tão variável, que não vejo muito sentido em buscar respostas externas para os dramas e as delícias particulares. Vai saber o que é satisfatório para mim ou para você? Para entender o amor, é preciso muito mais, claro, é preciso mergulhar numa mistura de ciência e poesia proposta pelo sociólogo italiano Francesco Alberoni, tema do ótimo post da Martha.

Mas tem uma característica presente nos casais felizes que, para mim, é essencial: eles se divertem juntos. Riem e são cúmplices até nas piadinhas. Tem tiradas que só eles entendem e partilham, provavelmente extraídas de filmes que assistiram. Casais felizes choram de tanto rir juntos.

Eu vinha pensando nisso outro dia – depois de um ataque de risos com meu marido – quando o tema veio à tona na minha entrevista com Liliane, a mulher do ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O ministro, como vocês já sabem, ganhou as páginas dos jornais semana passada com um tema que o brasileiro adora: sexo. Ele fez uma gracinha recomendando sexo cinco vezes por semana para prevenir a hipertensão, doença grave que afeta boa parte da população brasileira. A opinião de Liliane está na reportagem de capa de Época desta semana. Lá pelas tantas, ela me disse o seguinte sobre casamento:“Olha, você não imagina como somos felizes. É uma relação muito leve. A gente se diverte muito juntos”.

Se ela é feliz, isso tem que ser verdade. Pensei nos casamentos frustrados à minha volta. Todos parecem padecer da mesma ausência crônica de humor, da incapacidade de usufruir do riso como uma manifestação de cumplicidade, prazer e autenticidade. Boa parte da minha felicidade deve-se à essa intimidade do riso, que tornou vários dos nossos momentos inesquecíveis.


Faz alguns anos, viajávamos de carro sozinhos. Não tínhamos filhos. Cantávamos em alto e bom som com Gilberto Gil no CD. Até que chegamos em “Sítio do Pica Pau Amarelo”.

Na hora do refrão, meu marido parou de cantar para me ouvir. Tirou os olhos da estrada por um instante para me encarar com um certo sorriso no canto dos lábios.
“O sol nasce…on-de?”
Eu completei e ele começou a rir, enquanto me dizia “você está falando sério?”
“Sim, a música é assim!”

Eu não entendia qual era a graça, mas ele ria cada vez mais, e quanto mais ele me ouvia cantando, mais ria. Entre um soluço e outro me explicou que o trecho que eu estava cantando errado, na verdade, era “o sol nascente é tão belo”. Tentou respirar diante da minha expressão interrogativa.

“O quê?”, eu, pasma. “Claro que não. O sol nascente é tão belo? Tem certeza? Você viu a letra? Vamos ouvir de novo?”

E eu repetia a música, ainda sem acreditar. “Vai me dizer que faz mais de 25 anos que eu canto essa música errada?”.

Diante da minha incredulidade, ele ria cada vez mais.

“Tem certeza? Olha só, eu via o Sítio todos os dias e…acho que uma amiguinha cantava assim também…”

Eu não conseguia rir, mas ele teve de parar no acostamento porque não podia mais dirigir, as lágrimas impediam que ele enxergasse, enquanto eu tentava me explicar.

“Sempre achei que Giacombelo fosse um lugar. O sol nasce em Giacombelo-u-hu-u-huuuu. Sítio do Pica Pau Amareluuuu…”

Ele já estava a ponto de passar mal. Eu continuava, ainda um pouco atônita, porque você passa 28 anos da sua vida acreditando em algo que se desmancha numa verdade revelada à queima-roupa durante uma viagem? Não é fácil. Vocês devem me entender.

“Você não acha que Giacombelo poderia ser um lugar depois do Reino das Águas Claras? O sol nascia lá! Em Giacombelo! Afinal, o Sítio era um lugar onde coisas estranhas aconteciam, tinha a Cuca…o Gilberto Gil mesmo, na música, fala em universo paralelo”.

Achei que ele fosse ter um troço.

“Com 5 anos eu não sabia onde o sol nascia, por isso fazia sentido Giacombelo ser meu universo paralelo…”
“Giacombelo…” – ele, com lágrimas rolando no rosto, tentava se controlar, mas a gargalhada voltava impiedosa.

Não demorei a achar tudo engraçado. Meu acesso de riso se juntou ao dele e rimos até chorar. Giacombelo não era um universo paralelo. Não existia. Puxa.

Qual foi a última vez que você rolou de rir com seu parceiro/sua parceira?

E, cá pra nós, o Gilberto Gil adora neologismos (parabolicamará, infomaré…). Não custava nada ter inventado Giacombelo.