Bem vindo(a)!!

Então, esse é um cantinho no qual gosto de expor textos, artigos, crônicas, vídeos ou matérias que gosto. Quando aparece alguma inspiração, também escrevo. É isso... Beeeijos! ;*

terça-feira, 16 de março de 2010

Seja feliz e pronto.


A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.

A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações,
dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?

Ha ha ha ha ha ha ha ha!

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... A realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.

Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria.

Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.

Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus, confie e espere só NELE e pra relaxar que tal um cafezinho gostoso agora?

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios". "Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche".

Seja você mesmo sempre e VIVA A VIDA!!!!

Arnaldo Jabor

quarta-feira, 10 de março de 2010

Terra em Transe.


O aquecimento global representa a promessa do não-lugar para a vida no planeta: a distopia finalmente chegou?

O sol, personagem essencial das paisagens, nem sempre surge nítido no Mato Grosso. Cumprindo calendário inesperado, ele e tudo o que desponta no horizonte se escondem sob espessa névoa amarelada que aparece nos meses de agosto e setembro. Não se trata de fenômeno natural, mas de conseqüência das queimadas realizadas no extenso eixo que vai do vizinho Mato do Grosso do Sul até o Pará. Por esse motivo, o céu, em diversos pontos nessa região do país, é invadido por volume tão expressivo de fumaça que não é possível vê-lo durante dois longos meses, todos os anos.

O problema é constantemente monitorado por satélite. Mas talvez seja sob a perspectiva da vida diária que as queimadas assumam dimensão ainda desconhecida para a opinião pública, sintetizando, simbolicamente, o caráter devastador e paradoxalmente transformador de paisagens nativas. Signo de um modelo de expansão econômica em países em desenvolvimento, essa antiga prática de abertura de fronteiras e de cultivo da terra tem sido alvo, no entanto, de novos enfoques em fóruns internacionais devido ao peso de sua contribuição na mudança do clima do planeta. O volume de dióxido de carbono proveniente das queimadas representa 20% das emissões mundiais desse gás, maior responsável pelo acirramento do efeito estufa. Segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a sua concentração na atmosfera em 2007 foi a mais elevada nos últimos 650 mil anos. O Brasil, que lança pelo menos 1 bilhão de toneladas de gás carbônico na atmosfera, encontra-se em quinto lugar no ranking mundial dos países produtores de gases do efeito estufa (GEE). Desse total, 75% são provenientes de mudanças no uso do solo e de queima de florestas.

Ana Maria Vieira

Vários jeitos de educar.


Participar de uma caminhada na Estação Ecológica e de uma oficina sobre reciclagem de lixo. Percorrer a trilha “Jardim Botânico” no Museu de História Natural. Acompanhar uma aula de Ciências com modelos de moléculas feitos de garrafa PET e materiais de baixo custo. Pesquisar e assessorar movimentos, entidades e ONGs ligadas à questão ambiental. Um ribeirinho de Lassance, Norte de Minas, cuidando do Rio das Velhas.

O que essas experiências aparentemente tão distintas têm em comum? Cada uma à sua maneira, todas envolvem a educação ambiental pensada de forma mais ampla, sensibilizando e incentivando as pessoas que as vivenciam a desenvolver novos olhares sobre o meio ambiente.

No Colégio Técnico da UFMG, o Coltec, as garrafas PET são encaradas como importante material didático, saindo da lixeira para virar moléculas e experimentos. Isso mesmo, moléculas, ou melhor, representações delas. A idéia surgiu da necessidade de explicar os conceitos das disciplinas de ciências para os estudantes. Esse material didático existe no mercado, só que é caro e pequeno para todos os alunos observarem enquanto o professor explica. O professor de Química do Coltec Alfredo Mateus percebeu essa carência e começou a produzir em 2002 os primeiros modelos de moléculas com materiais de baixo custo que normalmente vão para o lixo, como plástico e papelão. Além das representações das moléculas, o professor Alfredo também desenvolveu experimentos simples que podem ser reproduzidos nas salas de aula com esses materiais. Uma coleção das experiências foi reunida no livro Construindo com PET, que já está na segunda edição.

Para o professor, a utilização de experiências e de materiais pedagógicos de baixo custo envolve os estudantes durante as aulas. “Eles trazem o material de casa e, através dos atos de cortar, soldar, furar, montar, vão percebendo que aquele material é, na verdade, uma matéria-prima. Isso aumenta muito o interesse, porque os alunos vão falar de coisas que eles fizeram, o que é muito diferente de falar de um exercício, torna a coisa mais real”, avalia Alfredo Mateus.

A estudante do terceiro ano de Química do Coltec Kênia Fiaux concorda com o professor. “Ajudou mais na visualização. Às vezes ficava muito no campo das idéias: o átomo é assim, o elétron é assim. O entendimento e a aprendizagem ficam mais fáceis quando a gente pega, junta e vê.” Kênia também conta que a participação nas oficinas para construir as moléculas a sensibilizou para a questão ambiental. “Nunca achava que era possível reutilizar; muita coisa era usada e jogada fora. Agora olho uma garrafa de Coca-Cola de outra forma: posso fazer isso ou aquilo.”


Multiplicidade de iniciativas em curso na UFMG ajuda a desenvolver novos olhares sobre o meio ambiente
Humberto Santos e Marina Garcia

quinta-feira, 4 de março de 2010

Quando ignorar é preciso.


Where is the life we have lost in living?
Where is the wisdom we have lost in knowledge?
Where is the knowledge we have lost in information?
T. S. Eliot, The rock (1934)

(Onde está a vida que perdemos vivendo?
Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?
Onde está o conhecimento que perdemos na informação?)

“Quem lê tanta notícia?”
Caetano Veloso, Alegria, alegria (1968)

Where is the life we have lost in living?
Where is the wisdom we have lost in knowledge? Where is the knowledge we have lost in information?
T. S. Eliot, The rock (1934)

(Onde está a vida que perdemos vivendo? Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento? Onde está o conhecimento que perdemos na informação? )

“Quem lê tanta notícia?”
Caetano Veloso, Alegria, alegria (1968)


Quando a Unesco estabeleceu os pilares fundamentais da educação para o século 21, buscava-se propiciar uma reflexão sobre o fazer pedagógico, de forma a direcionar os esforços para o desenvolvimento de quatro competências fundamentais no aprendiz: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser. O que se percebe, entretanto, em um contexto contemporâneo de excedentes informacionais e uma propalada crise nos juízos de valores dos novos aprendizes, é a falta de um quinto pilar: aprender a ignorar. Ao exclamar a frase em epígrafe, vendo a quantidade de publicações exposta em uma banca de revistas, Caetano Veloso nem sonhava que naquele ano estava nascendo a Internet, que viria a mudar nossa relação com a informação.

As redes e tecnologias digitais propiciaram o que vem sendo chamado de “tempos exponenciais”. Os números que refletem a produção atual de registros de informação são alarmantes. Dados estimados sobre a produção mundial de conteúdo digital apontam para a cifra de 281 bilhões de gigabytes gerados apenas no ano de 2007, ou seja, quase 50 gigabytes para cada ser humano vivo. Isto equivale a mais de cinco milhões de vezes o conteúdo de todos os livros já escritos. Supõe-se que o número total de páginas na web seja próximo a um trilhão. E em 2006 estimava-se que havia cerca de seis milhões de vídeos no site YouTube, com taxa de crescimento de 20% ao mês. Comparados com os cerca de 50 milhões de minutos da vida de uma pessoa longeva, já temos hoje seguramente muito mais conteúdo disponível do que um ser humano poderia assistir, se decidisse dedicar toda a sua vida para tal.

Ironicamente, as redes móveis, os dispositivos celulares, os leitores de livros digitais como o Kindle, as bibliotecas digitais e os conceitos emergentes como o de wearable computing tornam cada vez mais fácil consumir informações, embora nossa capacidade de atenção e absorção seja a mesma de sempre. Como apontava T. S. Eliot no início do século passado, não há uma relação direta entre a informação e o conhecimento. Tendo a questão em mente, poderíamos nos perguntar: que conseqüências o excesso de informação traz para o ser humano e, mais propriamente, para o processo de ensino e aprendizagem?

Se pensarmos a relação da sociedade com os estoques de informações disponíveis, há uma inegável democratização do acesso, tanto pela maior disponibilidade dos meios de comunicação e a popularização das tecnologias, quanto pelo alcance a uma gama mais significativa e diversificada da produção cultural da humanidade. Torna-se mais difícil o controle das informações, pois as fontes são tantas e tão variadas que os vieses tornam-se mais explícitos e facilmente contornáveis. Paradoxalmente, é cada vez mais complexo estabelecer parâmetros para julgamento da qualidade da informação, exatamente porque nenhuma amostra é mais significativa diante do todo. No caso da academia, o trabalho de revisão bibliográfica, fundamental para a pesquisa, está ficando inviável. São necessários recortes explícitos e muitas vezes arbitrários, pois a quantidade de publicações e fontes disponíveis sobre assuntos específicos é freqüentemente intratável. Tanto pior: excetuando estudos em campos de conhecimento mais perenes, como a filosofia, o fenômeno da rápida obsolescência torna o conhecimento produzido cada vez mais datado.

A saúde também tem estudado as conseqüências do excesso da informação e os transtornos físicos e psicológicos decorrentes. Além das bem conhecidas lesões por esforço repetitivo, resultantes do uso excessivo e inadequado de computadores, há hoje uma série de patologias associadas direta ou indiretamente ao fenômeno, como o estresse, a síndrome burnout e alguns casos de depressão, notadamente em crianças superestimuladas. Há situações em que o excesso de estímulos ou a oferta abundante de informações tolhem a capacidade de filtragem e julgamento, fazendo com que a captura do sentido seja prejudicada. E há quem diga que são perceptíveis as mudanças nos comportamentos cognitivos das novas gerações, sendo estas visivelmente mais preparadas para lidar com estímulos simultâneos diversificados, porém dificilmente conseguindo concentrar-se seguidamente em um único deles.

Observando o processo em meus alunos, cunhei, jocosamente, o nome para uma nova doença: Síndrome da Aquisição Desenfreada de Informações, ou simplesmente Sadi. Esta geraria dois grupos distintos de comportamentos, que não raro se manifestam em conjunto: o dos “sádicos” e o dos “masoquistas” informacionais. Os primeiros freqüentemente causam em outros a sensação de que há mais para ler, para atentar, para assistir, para experimentar. Não raro, os professores se encaixam nesta categoria. E os últimos tentam desesperadamente haver-se com a quantidade de referências, fontes, estímulos, sites etc. Não há um só aluno que não se identifique neste último caso. Noto que, na medida em que se torna improvável o aprendizado autônomo pelo excesso de referências e a exigüidade de tempo, este é progressivamente substituído pelos atos de “coleta e organização” de materiais didáticos, num processo que beira o fetiche. Dessa forma, mesmo que não se consiga ler, que não haja tempo para assistir, coletam-se e organizam-se meticulosamente documentos, links, vídeos, apresentações, imagens e gravações em áudio, para consumo em um dia que nunca chegará.

Brincadeiras à parte, é algo para que, como educadores, devemos atentar. O processo de aprendizagem é fruto complexo de, entre outras coisas, aquisição de informações, vivência de experiências, socialização, desenvolvimento de atitudes e experimentação. As novas tecnologias da informação, ao interligar pessoas e recursos, e promover maneiras diversificadas de interação dessas pessoas (e desses recursos), propicia – num alcance inaudito – muitos dos ambientes onde se pode dar a aprendizagem. Há vários exemplos, como as comunidades virtuais de aprendizado, as informações disponibilizadas em bases de dados e bibliotecas digitais, as interações em redes sociais, em ambientes virtuais etc. A Internet tem sido uma janela privilegiada por onde se observam os avanços da ciência, o curso da História e as tendências da sociedade. Pela sua dinâmica democrática e diversificada, é, talvez, o meio menos enviesado para compreendermos o mundo em que vivemos. Por outro lado, a educação em tempos digitais exige novas atitudes, competências e habilidades nos discentes, e o desenvolvimento de visões, metodologias e preocupações por parte dos docentes.

Para evitar a sobrecarga informacional nos aprendizes, há que se estimular a capacidade de distinguir a qualidade, nos excessos e na diversidade, dos recursos disponíveis, e aqueles para os quais se deve dar atenção. Torna-se fundamental não somente confeccionar materiais didáticos, selecionar conteúdos e promover experiências. Devemos ensinar a ignorar seletivamente. Esta talvez seja a grande competência necessária aos profissionais do século 21.

RENATO ROCHA SOUZA
Professor da Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG